Fique Por Dentro

Minha indignação com a Rockin’1000 Brasil

Uma palavra: indignação. É assim que me sinto sobre o cancelamento do show da Rockin’1000 Brasil. E não foi só porque pegou todo mundo de surpresa: o público, os mil músicos envolvidos( como eu) e até os maestros da banda.

Caso queira saber o motivo da minha total indignação, é só seguir com essa leitura. E já aviso: não tenho como ser imparcial nesse post e nem desejo ser. 

O que é a Rockin’1000 Brasil

Bom, pra quem não sabe, a Rockin’1000 Brasil é um projeto que iria reunir, de forma voluntária, mil músicos, entre amadores e profissionais, para celebrar o rock.

E contava com um repertório de 20 músicas do melhor do rock nacional e internacional. Se quiser saber mais sobre esse projeto, é só dar uma olhada no nosso post.

Esse mega evento iria acontecer no dia 7 de maio, no estádio Mané Garrincha, em Brasília. Perfeito. Todos estavam animados, afinal, era a primeira vez que um show como este, que reuniria mil músicos para tocarem juntos rock, aconteceria no nosso país.

Expectativa de fazer parte de algo grande

Todo mundo naquela expectativa de fazer parte de algo grande. O principal era proporcionar para o público, e para nós mesmos, um dos melhores shows de rock já vistos. Sem disputas de egos, sem um querer se destacar do outro. Ali nós seríamos uma só banda.

E-mail recebido com a setlist do show: 5 rocks nacionais e 15 internacionais. Aprender as letras completas de todas essas músicas num tempo recorde seria um desafio. Mas, vambora!

 Eu não sei dos outros participantes, mas eu não vivo da música. E por isso, me virava para arranjar tempo pra ensaiar: era de manhã bem cedo, na hora do almoço e antes de dormir. Todo dia uma música diferente. E por que conto isso? Você vai saber lá na frente.

Brasília, aí vamos nós!

Beleza! Ensaio a todo vapor! E nem acreditava como tinha essa capacidade de decorar música rápido.

Só que tinha um problema: eu não era de Brasília, como uma boa parte dos mil músicos. Agora , tinha que correr atrás de como conseguir passagens para lá e onde ficar.

A minha sorte é que o meu marido tem parente em Brasília. E as passagens foram pagas em milhas: presente da minha irmã.

E os outros músicos? Muitos tiveram que procurar hospedagem, além de conseguir grana para chegar até Brasília. Sem contar com o transporte dos instrumentos: bateria, baixo e guitarra. 

E a gente teria direito de levar alguém como convidado? Não, só comprando ingresso. Mas poderíamos ter um acompanhante somente nos ensaios. Então, já viu né! Familiares e amigos no show, só com ingressos na mão.

Tudo certo: credenciais recebidas e confirmação dos ensaios e do show

Tava tudo indo bem. Abril começando , e cada vez mais o dia do show se aproximava. No dia 16 de abril, recebemos o e-mail da Rockin’1000 Brasil, com as credenciais e as informações técnicas e gerais para todos os músicos.

E a confirmação dos ensaios nos dias 5,6 e 7 de maio na arena do Mané Garrincha, sendo a apresentação do show no dia 7 à noite. 

Um detalhe que me chamou a atenção nesse e-mail: o significado de voluntários para eles:

  “- Só reforçando, como todos quando se inscreveram foi na modalidade VOLUNTÁRIO, não tem ajuda de custo, nem hospedagem, nem alimentação para ninguém, apenas não vai pagar para se apresentar nem vai pagar ingresso” –  próprias palavras da Rockin’1000 Brasil.

Bom,  o que tenho a dizer sobre isso: sem a nossa participação não existiria este evento.

Cancelamento do show pelo Instagram

Eis que no dia 20 de abril me deparo com o seguinte post no Instagram:

Como assim cancelado por motivos de força maior? E acredite: foi assim que eu e todos os outros 999 músicos recebemos a notícia do cancelamento do show.

Nem sequer um e mail foi enviado para os músicos sobre o motivo de tal cancelamento. A Rockin’1000 Brasil não teve nenhuma consideração e respeito por nós , músicos.

E não houve nenhuma resposta  aos directs do Instagram, e-mails e what’s Apps. Nada. Somente o silêncio.

O site da Rockin’1000 Brasil se encontra fora do ar desde o dia do cancelamento do show:

 

Nem Philippe Seabra, master boss do evento, escapou do desrespeito da Rockin’1000 Brasil

E não para por aí: nem o Philippe Seabra, maestro principal do evento, sabia desse cancelamento.  E olha que Seabra é vocalista e guitarrista da Plebe Rude, uma das principais bandas de rock de Brasília dos anos 80.

Ele divulgou uma nota no Instagram dele sobre o ocorrido:

 

O embate judicial entre a Rockin’1000 e a Arena BSB

Como não pude deixar de fora esse meu lado de  jornalista, fui investigar e descobri numa matéria do G1 o seguinte:

Marcos Benatti, organizador da Rockin’1000 Brasil , e a Arena BSB, do Mané Garrincha, tinham entrado num embate judicial. 

Benatti acusou a Arena BSB de descumprimento de exclusividade da Rockin nos dias 5, 6 e 7 de maio, ao marcar outro evento no mesmo dia . E Benatti então entrou com uma ação judicial no dia 18 de abril :

           Crédito : TV Globo

Já a Arena BSB afirmou que o outro evento não atrapalharia em nada a Rockin’1000 Brasil, o que não concordou  Benatti. Resultado : EVENTO CANCELADO .

Eis a resposta da Arena BSB:

“Pelo compromisso de confidencialidade, não comenta condições comerciais, e ressalta que a realização de outro evento na mesma semana não atrapalharia em nada o evento do RockIn 1000, que ocorreria em data e área distintas do Estádio”
 
Prisão de Marcos Benatti

        Crédito: Rodrigo Machado

Só que logo depois de Benatti entrar com uma ação judicial contra o Mané Garrincha, ele foi preso por violência doméstica.

Respeito é o que todos nós merecemos

E “quem pagou o pato” fomos nós( músicos e público). Diante da prisão de Marcos Benatti, caberia a Rockin’1000 Brasil designar outra pessoa para responder por ele em relação ao cancelamento do show e reembolso.

 Mas não, eles simplesmente ignoraram um valor muito importante, que a gente aprende desde cedo com os nossos pais: respeito.

Respeito por aqueles que acreditaram nesse evento.

Respeito pelo tempo dedicado ao projeto. Respeito pela ética.

Respeito pelo público.

Respeito pela superação de cada músico para fazer parte desse show.

Respeito pelo sonho de todos. Respeito pela história de cada participante.

Respeito pelos seres humanos que somos.

Lembrei da entrevista com a  coordenadora de marketing da Rockin’1000 para o meu blog.

Perguntamos qual a mensagem da Rockin’1000 Brasil para o público. A  resposta da coordenadora:

A união faz a força e juntos somos mais fortes e melhores”

Diante de tudo isso, essa mensagem deveria ser substituída por:

 “Cada um por si”

E o que a gente leva dessa história? Como dizia Chorão, do Charlie Brown Jr:

“A vida me ensinou a nunca desistir

Nem ganhar, nem perder, mas procurar evoluir

(…)

História, nossas histórias
Dias de luta, dias de glória”

 

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3 segundos atrás

I don’t think the title of your article matches the content lol. Just kidding, mainly because I had some doubts after reading the article.

Your point of view caught my eye and was very interesting. Thanks. I have a question for you.

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[…] Toda essa forma organizada da Rockin’1000 me fez sentir mais segura em relação a realização do show. E saber que isso não seria uma furada como foi aquele outro evento de Brasília. […]

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[…] Minha indignação com a Rockin’1000 Brasil […]

Patricky Diniz Bandeira
2 anos atrás

Boa tarde!
É um absurdo o que a Rocking 1000 fez com nós músicos,uma falta de respeito muito grande

Micky
2 anos atrás

That’s a shame.

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